Pós seis meses de pandemia, como nos sentimos?
- Gabriela Gibim

- 20 de ago. de 2020
- 2 min de leitura

Podemos viver mais ou menos dispostos a perceber como somos afetados pelo que está externo a nós, embora a relação entre o mundo interno e externo – por assim dizer – seja constante e constitutiva do nosso ser. Exemplo singelo e de bastante importância para os nossos tempos, é o de que as emoções que sentimos são reações a algo externo que nos afeta. Nessa, eu me pergunto e te pergunto: que emoções sentimos nesse período, como reagimos?
Nosso corpo na sua condição sensória é campo de afetação das forças do mundo. Quem diz isso, mais ou menos desse jeitinho, é a Hélia Borges, que eu já mencionei aqui em outro texto. Somos sensíveis ao mundo que nos rodeia e nos inter-relacionamos com outros corpos humanos, em diferentes composições de formas e de intensidades.
Nesses tempos tenho pensado muito na relação deste nosso corpo sensível com a exterioridade, com o que está externo a ele. Tenho pensado sobre a sensibilidade e a insensibilidade. O vergonhoso “placar da vida” tal como vimos no Ministério da Saúde, que provoca um – quase – esquecimento do número pessoas que morreram me faz pensar sobre. Os atos populares em memória dos falecidos nessa pandemia, também me fazem pensar, assim como outras tantas situações que envolvem anseios em fazer emergir ou ocultar algo importante.
O exercício da atenção de Simone Weil, que eu também já mencionei em outro texto, diz que através da atenção, do olhar atento, é possível "sair de si", sair de uma postura ensimesmada para um outra, em que transferimos a nossa atenção para o que está fora de nós.
Passados seis meses desde o início da pandemia no país, é pela lembrança deste exercício do olhar atento e de toda compreensão sobre o nosso corpo sensível, em conexão com a exterioridade, que vou percebendo cá comigo mesma que perguntar sobre como estão nossas emoções, é para além de um exercício de autoconhecimento, um exercício de sensibilização às muitas outras formas de estar vivendo esse período, para além da nossa própria, como um exercício de atenção ao que está externo à nós.
Estamos atentos?
"A atenção é um olhar capaz de agir sobre a realidade"
Referência:
Ecléa Bosi. O tempo vivo da memória. 2003. Ateliê Editorial. pp. 213 – 214.
Hélia Borges. Sopros da pele, murmúrios do mundo. 2019. Editora sete letras. p 64.






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