O desamparo em nós
- Gabriela Gibim

- 26 de nov. de 2020
- 2 min de leitura

Uma das constatações mais simples de se fazer sobre nós, humanos, e que nos mostra um aspecto importante do nosso modo de estar no mundo, é a prolongada condição de vulnerabilidade e dependência com que nascemos e passamos nossos primeiros anos de vida. Ao olhar para um recém-nascido ou para um bebê de um ano, vemos nitidamente essa vulnerabilidade e dependência – sabemos que, para que eles sigam se nutrindo e se desenvolvendo, eles precisam da presença de outro ser humano, que entenda e supra suas necessidades.
Essa lembrança sobre essa nossa condição, veio pelo interesse em refletir sobre o que sentimos ao olhar para o outro, em tempos em que o desamparo é tanto.
Se voltarmos para aquele exemplo do bebê e aquela outra pessoa que olha para ele, não é difícil ponderar que são muitos os modos como os humanos em diferentes culturas se relacionam entre si a partir dessa condição de vulnerabilidade e que aquele que cuida do bebê, é alguém que teve suas próprias necessidades supridas de algum modo e que pode criar, oferecer, apresentar ao bebê, um mundo em interação, baseado, inclusive, na própria experiência.
Agora, se dirigirmos nossa atenção ao ato de olhar, - dica: observe o seu próprio - podemos considerar que o olhar pode preceder uma outra ação, ou ser a ação por si só; pode também ser receptor, passivo, de uma imagem que o afeta. Pode ser uma mistura de todas essas possibilidades e outras mais. Quando o desamparo se presentifica na pessoa para quem você olha, o que você sente?
Ser frágil é algo que temos em comum, mas isso não significa que estejamos em condições de perceber a fragilidade comum que nos envolve no tecido social de que fazemos parte. Olhar e observar o próprio sentimento já é bastante significativo num contexto em que a negação se expande tanto quanto o desamparo.



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